quinta-feira, 17 de abril de 2014

O brilhareco da estrela

Nem o mais pessimista torcedor do Botafogo poderia imaginar que a participação do time na Taça Libertadores da América (insisto em chamar pelo nome antigo, hoje é Copa por fins mercadológicos, mas eu não tenho nada a ver com isso), depois de 18 anos de ausência, fosse terminar de maneira tão vexatória, com o time sendo eliminado ainda na primeira fase e, pior, terminando na lanterna do grupo. Se era para fazer esse papelão, melhor que nem tivesse se classificado. Ainda por cima, ficou a impressão de que todo o esforço empreendido pela equipe no ano passado foi em vão, porque do começo ao fim foi tudo um equívoco só.

Lodeiro jogou pouco e decepcionou a torcida.
De nada adiantou a torcida comparecer em ótimo número aos jogos no Maracanã, fazer mosaico, entoar cânticos especialmente criados para a competição. De nada serviu a expectativa de ver o Botafogo chegar, no mínimo, às quartas de final ou até, por que não?, à final. Foi tudo por água abaixo. E que fique claro: a eliminação não aconteceu no jogo contra o San Lorenzo, na Argentina, com a derrota incontestável por 0x3. Aconteceu uma semana antes, em pleno Maracanã,  na derrota pela contagem mínima para o Unión Española. Ali o Botafogo selou de vez sua pífia participação no torneio. Debaixo dos narizes dos mais de 50 mil torcedores que compareceram para empurrar o time no que seria a vitória que garantiria a vaga. De certa forma, porém, o placar refletiu muito bem o que foi e o que fez o Alvinegro na principal competição do continente. Foi um zero. Foi um nada. Foi um blefe.

O começo até prometia vida longa na competição. Goleada por 4x0 sobre o Deportivo Quito, com festa histórica nas arquibancadas. Começamos bem, vencendo com autoridade o mesmo San Lorenzo que nos devolveria a derrota com juros semanas depois, e arrancando um empate na raça diante do mesmo rival chileno que nos eliminaria dali a um mês. Aí começou a debacle. Uma derrota no último minuto para um ridículo Independiente Del Valle o Botafogo não consegue perder essa mania de levar gol nos acréscimos , do Equador, uma desnecessariamente sofrida vitória contra o mesmo adversário depois e dois tropeços, o mais grave em casa, um autêntico "Maracanaço" alvinegro. O baile que o time levou em Buenos Aires foi só a pá de cal em uma tragédia anunciada. A julgar pelo que vinha mostrando em campo, e considerando o elenco que armou para a disputa da Libertadores, o Botafogo não ia mesmo longe. Talvez caísse já nas oitavas. O que ninguém esperava, contudo, foi o ridículo que o time passou, diante de três equipes que sequer podem ser vistas como forças principais do torneio o time equatoriano, aliás, era estreante na disputa.

Sufoco até contra o Independiente Del Valle no Maracanã.
É claro que os jogadores têm sua parcela de culpa, afinal, foram eles que entraram em campo defendendo o sagrado manto alvinegro. Mas a culpa maior veio de cima, dos escritórios refrigerados da diretoria e, principalmente, do presidente Maurício Assumpção. Nunca vi dirigentes tão incompetentes, inábeis, incapazes no ofício de montar uma equipe para disputar uma competição da envergadura de uma Libertadores. Desde janeiro do ano passado o Botafogo vem sendo desmontado a cada três meses, sempre perdendo jogadores fundamentais no bom funcionamento do esquema da equipe.

São peças importantes vendidas com torneios em andamento, desfigurando o time. Do esforçado lateral esquerdo Márcio Azevedo ao quase decorativo atacante Bruno Mendes, foram quase 10 jogadores negociados ano passado, incluindo o promissor Vitinho, vendido ao futebol russo em um momento no qual o Botafogo mais precisava de força ofensiva, nas quartas de final da Copa do Brasil. Já no começo deste ano, mais dois desfalques incontornáveis: o holandês Seedorf, que abandonou a carreira e foi ser técnico do Milan, e Rafael Marques, que, à parte o fato de mal ser um atacante especialista (jogava melhor quando saía para buscar jogo e armar tramas ofensivas), era uma referência na área.

Um dia provaremos seu gosto?
Muito pior que a diretoria não fez contratações à altura para suprir a ausência de todos estes jogadores. Para "reforçar" o time na Libertadores, optou por um veterano de 35 anos (Jorge Wágner), que, apesar de experiente na competição, nunca foi grande coisa nem nos seus melhores dias; um atacante (Ferreyra, o "Tanque") cujo grande feito foi tropeçar na bola e perder um gol feito na final do ano passado, quando jogava pelo Olímpia, contra o Atlético-MG; e dois laterais criados na base do Flamengo (Alex e Ânderson) que estavam exilados na Holanda, e, quando jogaram, o fizerem muito mal. Outro problema foi confiar o comando da equipe a um treinador inexperiente, como Eduardo Húngaro, que só havia treinado antes as categorias de base do clube, onde até fez bom trabalho revelando jogadores, como Dória e Gabriel, mas ganhar título que é bom, nada.

A justificativa para tamanha indigência técnica na hora de contratar  foi a de que o clube não tinha dinheiro para ousadias ou jogadores mais caros. Mas, espera aí: o Botafogo vende tantos jogadores e nunca tem dinheiro? Não é possível que toda essa grana vá parar no bolso dos empresários, sem que o clube lucre um centavo sequer. Que amadorismo é esse? E os patrocinadores? Ninguém se coça para ajudar? Afinal, Liberadores não é pouca coisa, qualquer marca que investisse ali ganharia em exposição, claro, à medida que o time fosse avançando etapas claro, pois um time forte tem muito mais chances de disputar o título. Ou trata-se de incompetência em último nível ou tem alguma coisa muito mal-explicada por aí.

Agora tudo vai parecer "chororô" de perdedor. Fato é que a torcida se sentiu enganada. Apoiou o time na reta final do Campeonato Brasileiro do ano passado, quando conseguiu a última vaga para a Liberadores, lotou o Maracanã, acreditou no time para, no final, terminar segurando a lanterna do grupo, com uma campanha vexaminosa. Espero que não tenhamos de esperar mais 18 anos para removermos essa mancha da nossa gloriosa história. De preferência, com uma caminhada bem mais digna para um clube com a grandeza e a tradição do Botafogo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Nas sombras de uma paixão

Precipícios d'alma (1952)
Geralmente associado ao gênero policial, o film noir também se prestou a embalar filmes de diversas origens, como este Precipícios d'alma, drama romântico concebido como um conto de suspense. Também pode ser entendido como uma piada sarcástica e irônica sobre o ofício de ator. O filme é praticamente desconhecido no Brasil, já que nunca foi lançado por aqui, nem comercialmente, nem em DVD – e nessas horas os detratores do compartilhamento de arquivos pela rede deveriam reconhecer o caráter de difusão cultural que tal atividade tão condenada adquire.

O título e o começo fazem supor que se trata de um estudo sobre paixões destrutivas, o que passa longe de ser. O experiente ator Lester Blaine faz um teste de elenco para a nova peça de uma famosa escritora, Myra Hudson, mas é descartado por ela sob a alegação de que não transmite o sentimento necessário, não passa a veracidade de emoções que a cena exige. Poucos dias depois, eles se encontram a bordo de um trem e Blaine resolve provar a Myra que pode ser romântico e que sua rejeição fora injusta. O envolvimento é tão intenso que se casam em pouco tempo. Mas tudo é parte de um elaborado plano de vingança arquitetado pelo ator, que tenciona matar a escritora e herdar todo o dinheiro que ela tem e acumulou ao longo dos anos. Para isso, contará com um pequeno auxílio de sua esposa verdadeira, que, por sua vez, arrasta a asa para o advogado de Myra, visando manipulá-lo.

Mais uma prova que o amor pode matar.
Temo ter revelado demais na sinopse. Mas, como convém a um bom film noir, a maneira de contar a história é mais importante e interessante que a história em si. Neste sentido, Precipícios d'alma segue fielmente a cartilha do gênero, abusando de contrastes fotográficos entre luz e sombra, claro e escuro, compondo o jogo de personalidades dos seus protagonistas e garantindo o interesse do espectador. Há pelo menos duas cenas muito interessantes. A primeira quando o casal está na casa de verão de Myra e desce a escadaria de pedra em direção à praia: não há corrimão e o próprio Blaine chama a atenção para o "risco de queda" que há ali, antecipando inconscientemente seu objetivo criminoso, o que também é valorizado pelo ângulo da câmera, por cima, aproximando o espectador da descida arriscada. A outra é quando Myra descobre, por meio de uma gravação, os intentos maléficos de seu marido e, em um delírio perspectivo, imagina as diversas maneiras com que Blaine pode matá-la. Também a perseguição final é empolgante, muito bem-filmada e tem um desfecho simbólico.

Ninguém controla a fúria de uma mulher enganada.
Joan Crawford já era uma estrela consagrada e imprime riqueza de detalhes à sua Myra Hudson, mas implico um pouco com a escolha de Jack Palance como contraponto romântico. Acho-o muito inadequado como galã, ele simplesmente não tem o porte exigido para o papel, com um rosto quadrado e anguloso. Deve ter sido imposição do estúdio, RKO, para promover o jovem ascendente – este foi seu terceiro trabalho no cinema e o primeiro como protagonista. O estúdio acertou em apostar nele, como comprovou sua longa carreira, marcada por heróis de ação e faroestes, ou seja, como galã não funcionava mesmo! Também o diretor, David Miller, acumulou mais de 50 créditos no ofício, mas sem nada muito importante, e certamente ficou marcado por este trabalho. Além deste, teve outro bom momento, com A teia de renda negra (1960).

Um filme a ser descoberto, com forte potencial cult, e que agrada tanto a apreciadores de um bom drama romântico quanto aos fãs do film noir. Procure conhecer.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Vingança gelada

Oldboy - Dias de vingança (2013)
Não sei se Oldboy já pode ser considerado um clássico. Mas é fato que marcou época, fez história e ainda revelou aos olhos ocidentais o diretor sul-coreano Park Chan-Wook, graças a engenhosa combinação entre violência gráfica habilmente coreografada e um roteiro instigante, que mantinha o suspense até a última cena. Portanto, o grande problema de refazer um filme desse é que parte considerável da platéia conhece a história, sabe o que vai acontecer, o que elimina praticamente toda a expectativa e diminui consideravelmente a experiência de quem assiste claro que as novas gerações podem se extasiar, e até se interessar em conhecer o original.

Desde que o filme original assombrou e surpreendeu o público em 2004, ficava-se imaginando quando Hollywood iria realizar sua própria versão. Demorou para que isso acontecesse e somente agora, dez anos depois, chega mais uma das inúmeras refilmagens descartáveis que entopem o cinema atual. Oldboy Dias de vingança confirma as piores previsões. Embora dirigido por um nome de peso como Spike Lee, falta tudo a essa história que, no original, se impôs como uma das mais requintadas tramas de vingança do cinema recente. Não tem charme, nem ritmo, muito menos consegue angariar a simpatia do espectador pelo protagonista.

Não sei se Lee era o homem certo para o projeto. Há anos ele não consegue emplacar nada de especial, parece ter esgotado sua verve criativa na sua "Trilogia do Racismo", formada por Faça a coisa certa (1989), Mais e melhores blues (1990) e Febre da selva (1991). Depois, passou a se repetir, sempre repisando o mesmo tema, com pequenas e infrutíferas variações - seu último grande trabalho, A hora do show (2000), é mal conhecido por aqui, também por nunca ter saído em DVD. Espremido pelas necessidades, acabou se bandeando para o cinema comercial, com O plano perfeito (2006), Milagre em Sant'Anna (2009), Verão em Red Hook (2012, ainda inédito aqui). Também voltou-se para a seara dos documentários, e prepara um sobre o Brasil, chamado Go, Brazil, go!, a ser lançado no ano que vem. Mas nada que o reconduza ao topo dos grandes diretores, coisa que ele nunca deixou de ser, só que parece não conseguir mais acertar em nada que faz.
"Meu prazer é a sua dor."

A história, todo mundo já sabe o que é. No dia do aniversário de 3 anos de sua filha, um sujeito é seqüestrado sem motivo aparente e passa 20 anos enclausurado em uma cela que simula um apartamento (aqui vira quarto de hotel). Pelo aparelho de TV instalado lá, fica sabendo da morte brutal da esposa e que sua filha virou uma virtuosa violinista, mas cresceu com ódio do pai, a quem culpa por tê-la abandonado. Ao ser libertado, ele parte para a vingança, sem medir esforços para chegar à verdade.

Embora o roteiro de Mark Protosevich (de A cela e Eu sou a lenda) siga quase fielmente o do filme original, Lee se permitiu algumas liberdades que, muito longe de se tornarem um diferencial a favor, servem para depor contra essa versão. A cena mais famosa de Oldboy, por exemplo quando o prisioneiro entra em um restaurante e engole um polvo vivo, tamanha sua "fome" de "destruir" um outro ser foi, de certa forma, substituída por uma matança em um campo universitário de rúgbi, em que ele trucida todos os jogadores, uma seqüência muito violenta e bem desagradável. Aliás, todo o filme envereda pelas piores escolhas, abrindo mão da poesia visual das cenas mais fortes e se rendendo ao nível mais rasteiro de tortura e sanguinolência tão em moda no cinema de ação norte-americano hodierno.

Também o final, de forte impacto na versão sul-coreana, ganhou um detalhe aqui, e longe de querer revelar alguma coisa, tornou-se mais palatável às platéias ianques. Outro equívoco do roteiro é mostrar o protagonista, Joe Doucett, como um sujeito desprezível, que não liga para o aniversário da filha, tenta seduzir a mulher de um negociante com quem vai fechar negócio, bebe e trata mal as pessoas, tudo isso com apenas cinco minutos de história. Ou seja, de cara já se criam suspeitos em potencial para a autoria do crime, talvez para deixar claro que ele é mau e merece ser castigado à altura, já que americano adora tudo explicadinho, coisa que não existe no original, em que o personagem é mostrado como um bobão inocente, aparentemente sem inimigos. Tudo errado.

Recuse imitações. Prefira sempre o original.
Nem o elenco melhora alguma coisa. Considerado um dos melhores intérpretes da atualidade, Josh Brolin passa o filme todo com a mesma expressão, pior ainda que não consegue despertar nenhuma simpatia do público (nem poderia, pelo histórico de cafajestadas que exibe no começo). Elizabeth Olsen sem muitas chances, Samuel L. Jackson faz praticamente uma ponta com direito a tortura no pescoço e o sul-africano Sharlito Copley (de Distrito 9) guarda o "grande" segredo da trama, também sem nada de especial.

Nem sempre o resultado financeiro de um filme atesta sua qualidade. Há ótimas fitas que o público simplesmente não compra, não descobre. Mas, neste caso, Oldboy Dias de vingança segue paralelo à idéia de que filme ruim não gera renda. Lançado em novembro nos cinemas norte-americanos, custou US$ 30 milhões e só rendeu US$ 2 milhões, ou seja, um fiasco épico, para fechar estúdio, e fosse outro o diretor já teria enterrado a carreira. Também foi considerada a pior adaptação norte-americana de um filme oriental por um site especializado. Eu já fui conferir de nariz torcido porque gosto muito do original e não podia esperar mesmo nada de bom. Então, nem posso dizer que me decepcionei. 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Golpe no cinema

Em vários países, a data de 1º de abril é celebrada como o Dia da Mentira. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, há uma tradição de os jornais publicarem manchetes brincalhonas nas primeiras páginas, atraindo a atenção de leitores desavisados, e ainda há quem acredite ou replique tais gozações como sendo verdades científicas! Aqui no Brasil, de uns anos para cá, com a popularização de sites especializados em paródias e vídeos de humor na internet, a essência da data perdeu um tanto de força, porque as brincadeiras acabam sendo diárias.

Por uma desagradável ironia, há um outro aspecto relacionado à data aqui no país, e este sem qualquer graça, muito pelo contrário. Na véspera, 31 de março de 1964, o Brasil foi dormir à sombra do Golpe Militar que lançou o país em duas décadas de trevas durante as quais a ditadura controlou cada movimento dos cidadãos. Na manhã seguinte, o popular Dia da Mentira, o clima no ar já não estava propício para brincadeira nem gozações. Foi o período mais negro da vida pública nacional, e somente quem o viveu pode testemunhar por experiência própria - eu nasci exatamente no meio dessa época e não tenho muitas lembranças, e mesmo as que me restam são um tanto difusas e pouco confiáveis.

A julgar pela quantidade de obras artísticas produzidas tendo a ditadura como mote, esta é uma ferida que continua aberta e dificilmente irá cicatrizar na alma brasileira. Foram incontáveis músicas escritas, filmes produzidos e livros publicados sobre o assunto, alguns tratando-o de forma indireta. Neste ano em que o Golpe Militar completa seu jubileu de ouro, é uma boa oportunidade para ver, rever ou conhecer a produção cultural que se debruçou sobre os chamados Anos de Chumbo.

O assunto sempre foi recorrente no cinema brasileiro, e não é difícil encontrar bons exemplos de como o período serviu de base para diversas produções. A lista a seguir relaciona títulos óbvios com outros em que o assunto é apenas citado, o que serve para ampliar a discussão para além do tema e estabelecer um diálogo com outras conexões da vida nacional.

VOZES DO MEDO (1972) – Um dos primeiros a abordar as conseqüências do Golpe. Realizado por vários diretores, que se revezam apresentando histórias independentes e alegóricas sobre a situação do país. Filmado de forma quase clandestina, tem inegável valor histórico, compensando o conjunto algo irregular.

PRA FRENTE, BRASIL (1982) – Durante a Copa de 70, um pacato cidadão é confundido com um ativista político, sendo preso e torturado. Paralelamente, sua família o procura e busca notícias. Um dos mais famosos realizados dentro do período da ditadura, venceu o Festival de Gramado daquele ano. Foi inicialmente censurado, mas liberado com cortes um ano depois. Curiosidade: o hoje ministro Celso Amorim, à época presidente da extinta Embrafilme, foi um dos financiadores do projeto, e acabou sendo demitido por pressão militar.

CABRA MARCADO PARA MORRER (1984) – O filme começou a ser rodado 20 anos antes, mas foi interrompido pelo Golpe Militar. Duas décadas depois, Eduardo Coutinho voltou aos mesmos lugares, entrevistou as mesmas pessoas e tentou desvendar o que teria acontecido durante aquele período. Está sendo finalmente lançado em DVD, em uma edição bem caprichada da Videofilmes.

QUE BOM TE VER VIVA (1989) – De Lúcia Murat. Mistura de documentário (com depoimentos reais exibidos na tela em uma janelinha 3x4) e ficção, é uma ode às mulheres que participaram da luta armada, simbolizadas na voz de uma ex-guerrilheira, interpretada por Irene Ravache, que relembra momentos de sua atuação naquele período.

LAMARCA (1994) - Os últimos dias de vida de Carlos Lamarca, que desertou do Exército e se tornou um dos mais destacados líderes da oposição política nos anos 60. Elogiada atuação de Paulo Betti no papel principal.
 
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997) – Adaptado de livro homônimo escrito por Fernando Gabeira, é um dos títulos mais famosos da Retomada, muito criticado por pesquisadores e historiadores, que apontaram inúmeras falhas. Mas teve carreira vitoriosa no exterior e chegou a ser indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro (perdeu para o holandês Caráter).

AÇÃO ENTRE AMIGOS (1998) Acerto de contas promovido por quatro amigos presos e torturados nos anos 70. O tempo passa e 25 anos depois, eles descobrem que o algoz continua vivo. Resolvem então executar um plano de vingança. Um dos títulos mais celebrados do diretor Beto Brant.

CASSETA E PLANETA A TAÇA DO MUNDO É NOSSA (2003) – Primeiro filme do grupo, que somente se arriscou nas telas mais uma vez, no igualmente fraco Casseta e Planeta – Seus problemas acabaram!!! (2006), ambos muito pobres se comparados ao programa de TV. Também foi fracasso de bilheteria, sobretudo porque é difícil fazer piada com um tema tão sério e doloroso.

ARAGUAYA, A CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO (2004) – Joga luzes sobre um dos episódios menos comentados do período, a Conspiração do Araguaya, mostrando como a resistência captou também membros em comunidades rurais do Brasil Central. Também é entremeado por depoimentos de quem viveu o conflito (José Genoíno é um deles). Sério e bem-produzido, mas tem um som catastrófico!

SONHOS E DESEJOS (2006) – Possivelmente o pior filme já feito sobre o tema. Nos anos 70, um professor de literatura engajado na guerrilha contra os militares se muda para Belo Horizonte com a namorada e lá acolhem um companheiro de luta ferido na mão. O diretor Marcelo Santiago tranca esses três personagens em um "aparelho" e conduz a história de forma tola e letárgica, sem que nada aconteça, sem que nenhum conflito se imponha, nenhuma questão pertinente seja levantada. Ricardo Pereira paga mico e Mel Lisboa repete os cacoetes eróticos de sua recém-interpretada Anita da famosa minissérie da TV.

BATISMO DE SANGUE (2006) – A luta armada vista pelos olhos da Igreja. O palco da ação é um convento, no final dos anos 60, no qual os padres locais apóiam um grupo de guerrilheiros e, por isso, são presos e torturados. Prêmio de Melhor Diretor para o argentino Helvécio Ratton e fotografia no Festival de Brasília.

O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS (2006) – Um dos mais líricos a abordar o assunto. Menino fica aos cuidados do avô quando seus pais militantes precisam fugir do país para escapar do cerco aos oposicionistas do regime. Uma das grandes surpresas da história do Oscarito, ao receber o prêmio de melhor filme, superando o favorito Tropa de elite.

ZUZU ANGEL (2006)  A luta da estilista Zuzu Angel para localizar e enterrar o corpo do filho, seqüestrado e morto pelos militares. Reconstituição de um dos mais famosos casos do período. Comovente atuação de Patrícia Pillar como a protagonista. Oscarito de Figurinos.

OS DESAFINADOS (2008) – Quatro amigos tentam a sorte na música durante a eclosão da Bossa Nova, nos anos 60. O roteiro se concentra nos dramas pessoais e profissionais de cada um, mas toca de leve no assunto quase no fim da história, quando um dos artistas se revela integrante da luta armada e acaba sendo perseguido pelos militares.

UMA LONGA VIAGEM (2011) – Outro de Lúcia Murat. Misto de drama e documentário, narra os desencontros de três irmãos: o mais novo é mandado para Londres, para não entrar na luta armada que acaba por seduzir o irmão mais velho. Já a irmã do meio se torna presa política e, anos depois, cineasta formada, relembra a história por meio de cartas que trocou com o irmão exilado e entrevistas feitas com ele. Sensível e poético, é uma espécie de expurgo das dores familiares da diretora. Vencedor do Festival de Gramado, também rendeu a Caio Blat o prêmio de melhor ator.

O DIA QUE DUROU 21 ANOS (2012) – Produzido pela TV Cultura e dividido em quatro partes, revela uma até então desconhecida conspiração segundo a qual o Golpe Militar teria sido uma forma de o governo norte-americano de John Kennedy e Lyndon Johnson controlar o avanço de idéias "comunistas" no Brasil. Um dos melhores documentários sobre o tema.

quinta-feira, 20 de março de 2014

A bela criação e a fera criadora

Walt nos bastidores de Mary Poppins (2013)
Embora tenha colhido diversos elogios na temporada pré-Oscar, Walt nos bastidores de Mary Poppins terminou esnobado pela Academia, que só o indicou para Melhor Trilha Sonora. Triste esquecimento. Sua indicação à categoria principal faria justiça à alta qualidade dos selecionados deste ano, bem como poderia ter recebido no mínimo mais três nomeações.

Na época em que eram feitas as adaptações de Harry Potter para o cinema, ficou famoso o controle rígido que a autora J. K. Rowling mantinha sobre cada aspecto da produção. Cuidava de tudo, desde os diálogos até pequenos detalhes dos figurinos. Nada podia sair em desacordo com sua visão de criadora dos personagens. Se não tivesse sua aprovação, simplesmente não ia para a tela. Pois em 1964 a senhora Pamela Travers era uma espécie de J. K. Rowling ampliada por um poderoso microscópio. Naquele tempo, ela já era a famosa criadora de uma série de livros protagonizados por Mary Poppins e vivia da renda dos direitos autorais. Quando o filme começa, porém, Travers está em situação financeira delicada, já que as vendas caíram assustadoramente. Seu agente tenta convencê-la a vender os direitos de adaptação para Walt Disney, fã assumido da personagem e que há mais de 20 anos tentava obter licença para filmar uma história baseada na babá encantada. Pamela resistiu por todos aqueles anos, porque se recusava, entre outros motivos, a ver sua obra diluída em mero instrumento de fazer dinheiro no império de Disney.

É assim que ela vai da sua Austrália natal até os Estados Unidos para uma série de reuniões com o próprio Disney (que prefere ser chamado apenas de Walt por seus funcionários). Muito já se falou e escreveu sobre o "pai" do Mickey, mas pouco se sabe a respeito da autora de Mary Poppins. A julgar pela fita, era uma mulher intragável, amarga, ranzinza, mal-humorada, que começa a desfiar seu rosário de reclamações antes mesmo de o avião decolar. A situação não melhora nem um pouco ao chegar a Los Angeles, apesar da simpatia com que é recebida por parte da equipe de Disney responsável por tocar o projeto da adaptação, os dois letristas da história, o que já causa desagrado a Travers: nem em sonho que Mary Poppins seria convertida em uma boneca dançarina daqueles musicais infantilizados do cinema. Os conflitos vão encorpando à medida em que ela vai determinando o que deve ou não ser feito no filme, os diálogos que considera mais adequados, descrições de cenários etc. Discute tudo, recusa a maioria das sugestões, tenta impor sua vontade. Disney se curva: quer levar a obra para o cinema, torná-la mais conhecida das pessoas. Travers se irrita com a idéia de ver pingüins animados em uma das seqüências, ameaça retornar a seu país. 

Mr. Banks (Farrell, à dir.) foi redimido de suas bebedeiras.
Paralelamente a esses embates, o roteiro engenhoso, escrito em parceria entre Kelly Marcel e Sue Smith, estreantes em longas (ambas egressas de séries de TV, a segunda com mais créditos) recua várias vezes no tempo, até 1906, mostrando a infância da autora - que, vemos de início, se chama Ginty Goff; seu pseudônimo será explicado no momento adequado - e sua relação um tanto conturbada com o pai, o tal Mr. Banks do título original, um beberrão assumido, que era um bom homem, mas incapaz de cuidar de si mesmo, quanto mais de sustentar uma família, que conta também com outra filha, um pouco maior, da qual nada de diz depois de crescida. Oscilando de emprego a emprego, acabou marcando de forma indelével a primogênita, e são essas lembranças que irão nortear a criação artística de Mary Poppins. A cada cena no tempo presente, corresponde uma passagem de sua infância, que ilustra e esclarece certos aspecto de sua obra. 

Na verdade, toda a obra de Travers é um acerto de contas com sua vida. Sua amargura tem razão de ser. O zelo excessivo com que trata sua personagem, contudo, se revelará uma camisa de força. A menos que consiga se libertar, ela a condenará ao esquecimento pelo resto da vida. De certa forma, foi salva por Disney. A cena final, mostrando sua reação ao ver o filme na tela durante a pré-estréia, alternando-se entre o espanto e a sincera satisfação, pode arrancar lágrimas.

Walt e Travers nos bastidores da Disney.
Toda a parte técnica do filme é muito bem-cuidada, desde os figurinos, a direção de arte, a fotografia, conferindo-lhe um visual bonito e atraente. Tom Hanks está bem no papel de Disney, embora a maior parte do mérito se deva à maquiagem, também bastante elogiada e igualmente esquecida pela Academia. Emma Thompson dá seu show particular como Travers. De início ranzinza e até arrogante, vai se transformando na medida em que Mary Poppins vai ganhando verdade na tela. É um expurgo, uma catarse interior. É uma vida redimida pela magia do cinema. 

A crítica especializada, de maneira geral, foi bastante contida e bem pouco entusiasmada com o filme. No meu caso, achei tudo em perfeita sintonia, tanto a ponto de conferir a cotação máxima. Até porque não é preciso ser fã de Mary Poppins para gostar da história e se emocionar com o processo de criação do filme (eu mesmo não morro de amores), mas é claro que os apreciadores do musical irão aproveitar muito mais. Quem gostar, ou os que quiserem conhecer a história de outra forma, pode também ler Mary Poppins e sua criadora, escrito por Valerie Lawson, que acaba de ser lançado pela Prata Editora, como sempre na esteira do filme - pelo menos a capa é diferente do cartaz original!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Cine Holliúdy de "carne e osso"

No sertão da Paraíba, um jovem mecânico de motos mantém em funcionamento a única sala de cinema da sua cidade. Parece uma continuação de Cine Holliúdy, mas é uma história verdadeira, e tão fantástica que merece ser conhecida e divulgada.

Segue, na íntegra, reportagem publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo no dia 1º de março, assinada por André Cananéa, sob o título "Cine Paraíba".

Com a afabilidade de Alfredo, o amor de Totó pela sétima arte e a determinação de Francisglaydisson, o mecânico Regilson Cavalcanti Silva, de 32 anos, sustenta, há dois, seu Cinema Paradiso com as adversidades de um Cine Holliúdy. Inaugurado em 13 de fevereiro de 2012, o Cine RT (R, de Regilson, e T, de Thamires, mulher dele) fica em Remígio, na Paraíba. Com pouco mais de 17 mil habitantes e distante 147 km da capital, João Pessoa, a cidade que possui uma única videolocadora ainda dá pouca atenção ao empreendimento. 

— Quando a semana tá boa, eu chego a ter 45 pessoas aqui — conta Regilson, que ganha a vida consertando motos numa oficina montada há oito anos, numa rua próxima ao cinema.

Regilson, mecânico e cinéfilo, é gente que faz.
Com filmes dublados em duas sessões, de segunda a sexta-feira, às 18h e às 20h, e uma matinê às 16h, nos sábados e domingos, o cinema cobra ingressos de R$ 4 (meia) e R$ 8 (inteira). Mesmo mantendo uma programação atualizada — na semana passada estava em cartaz Frankenstein — Entre anjos e demônios, de Stuart Beattie, que seguia no circuito carioca até o último dia 13 [de fevereiro]—, ele não consegue levantar receita suficiente para manter o cinema. Somando o aluguel do prédio, o custo com filmes — que pode chegar a R$ 2 mil a unidade —, os impostos e as despesas operacionais, o Cine RT parece um investimento kamikaze.

— Não é pelo lucro, não, que eu nunca tive — lamenta o mecânico — As contas não fecham, e eu tenho que usar dinheiro da oficina para manter o cinema aberto. Já houve mês em que eu precisei tirar R$ 1.500 do bolso para cobrir as despesas. Minha mulher já me disse para largar isso, porque há dois anos vivemos numa recessão financeira.

Mesmo assim, a mulher ajuda o mecânico. E Regilson não quer fechar as portas tão cedo. Mais que um sonhador, ele é um idealista:

— Estou nessa pelo amor que tenho aos filmes e pela vontade de fazer as pessoas da minha cidade voltarem a freqüentar o cinema.

Na infância, fraldas eram a tela

A paixão vem de criança. Quando moleque, Regilson entrava no extinto Cine São José para ver Os Trapalhões e, na saída, fuçava o lixo à procura de restos de película jogados fora, que levava para casa como se fossem troféus, tal qual o personagem Totó do filme Cinema Paradiso (1988), de Giuseppe Tornatore:

— Eu pegava essas películas, colocava numa caixa de sapatos adaptada com lâmpada e lente e as projetava nas fraldas de pano dos meus irmãos, que eram bem branquinhas, davam uma ótima tela.

Único cinema de Remígio, o Cine São José teve seus dias de glória entre os anos 1960 e 70 e fechou as portas de vez no começo da década de 90. Com o passar do tempo, Regilson ficou amigo do neto do antigo dono do cinema. E, depois de começar a freqüentar as salas mais próximas a Remígio — em um multiplex na cidade de Campina Grande, distante 30 km —, tornou-se amigo do gerente e dos técnicos do lugar. Lá encontrou quem lhe ensinasse a magia dos 24 quadros por segundo, como o projecionista Alfredo, de Cinema Paradiso.

Os inesquecíveis Alfredo e Totó foram inspiração.
Isso foi o suficiente para o mecânico decidir que era hora de ter seu próprio cinema. Regilson convenceu os herdeiros do antigo Cine São José a alugar o prédio e comandou seis meses de reformas, enquanto rodava a Paraíba em busca de um projetor de 35 milímetros. Comprou dois, ao preço de R$ 3.500, e reformou um deles utilizando as melhores peças do outro. Conseguiu, também, um som profissional, com o qual pode exibir os filmes em sistema 5.1. A sala é um grande galpão com teto de zinco e cem cadeiras de plástico. O filme é projetado na antiga tela do Cine São José, que Regilson recuperou, com 7 metros de largura por 3,8 de altura.

Nesse tempo o mecânico-dono de cinema também construiu uma poderosa rede envolvendo, numa ponta, gerentes de cinemas de Campina Grande, João Pessoa e Recife e, na outra, as próprias distribuidoras, conversando com elas por e-mail.

— Negocio direto com as distribuidoras — diz, orgulhoso, o gerente, programador e operador do Cine RT. — Tenho cadastro em todas elas. Ligo para os gerentes, vejo os filmes que estão com boa bilheteria e as praças que vão liberá-los mais cedo e negocio com as distribuidoras.

Aventura e comédia são os favoritos do público. O cinema foi inaugurado com A saga Crepúsculo: Amanhecer — Parte 1. Os campeões de bilheteria nestes dois anos foram Gonzaga — De pai pra filho e Os Vingadores, com uma média de 350 pessoas por semana cada.

Junto à bombonière, há cartazes anunciando Robocop, de José Padilha, e Hércules, de Renny Harlin, como próximas atrações.

— Tenho o único cinema de rua da Paraíba, e com programação de shopping! — comemora o dono do Cine RT.

Longa cearense teve bilheteria fraca

A comédia Cine Holliúdy (2013), de Halder Gomes, também passou por lá, mas, segundo Regilson, não foi muito bem de bilheteria. Alguma semelhança com a história do personagem Francisglaydisson, que, no interior do Ceará, decide concorrer com a TV e montar um cinema, tido como opção de entretenimento decadente?

O Cine RT, em Remígio (PB).
 — A gente achou parecida essa história de que todo mundo dizia que não daria certo abrir um cinema — responde o mecânico.

O Cine RT ainda carece de poltronas adequadas, luta que Regilson colocou no topo de suas prioridades.

— Acredito que, se eu conseguir poltronas para cá, o público irá aumentar. Dar conforto é a minha prioridade agora — confessa ele, já de olho num multiplex de João Pessoa que acabou de se desfazer de mil poltronas.

Apesar das dificuldades, e ciente de que Hollywood já decretou a morte dos filmes em 35 milímetros, o incansável Regilson Silva não desanima.

— Enquanto houver película, eu sigo em frente com o Cine RT — promete.

Longa vida ao Regilson e ao Cine RT.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Oscar 2014 - Todos os vecedores

Recuperei a dignidade pessoal no bolão do Oscar. Depois do vexame do ano passado, quando somente acertei três palpites, consegui retomar minha média e fechei com 13 acertos. Mas também, ninguém pode dizer que houve surpresa na entrega do Oscar. Tudo de óbvio aconteceu: 12 anos de escravidão levou o prêmio principal, Gravidade saiu consagrado como o grande vencedor da noite com sete estatuetas e Trapaça perdeu tudo, entrando no seleto grupo dos maiores derrotados da história. A Academia soube reconhecer a originalidade de Spike Jonze, finalmente agraciado pelo roteiro de Ela, que era meu favorito para a categoria principal. O mexicano Alfonso Cuarón também fez história, ao se tornar o primeiro latino-americano a levar o prêmio de diretor. Também não houve novidade nas categorias de interpretação, com todos os vencedores confirmando seu favoritismo.

Surpresa mesmo foi o Oscar de Documentário. Contrariando as previsões, a estatueta foi para A um passo do estrelato, superando o grande favorito, O ato de matar, que chegou a ser eleito um dos melhores filmes de 2013 pela revista Time. Outra surpresa, especial mas triste para nós, brasileiros, foi a lembrança que a Academia teve de Eduardo Coutinho na homenagem anual aos mortos do mundo do cinema - sua foto apareceu ao lado de outras, como Phillip Seymour Hoffman, Paul Walker e Shirley Temple. Só não deu tempo de incluir o nome do diretor francês Alan Resnais, falecido na véspera aos 91 anos.

Confira todos os vencedores do Oscar de 2014:

FILME: 12 anos de escravidão (12 years a slave) / Regency
DIRETOR: Alfonso Cuarón (Gravidade)
ATOR: Matthew McConaughey (Clube de compras Dallas)
ATRIZ: Cate Blanchett (Blue Jasmine)
ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Clube de compras Dallas)
ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyongo (12 anos de escravidão)
ROTEIRO ORIGINAL: Spike Jonze (Ela)
ROTEIRO ADAPTADO: John Ridley (12 anos de escravidão)
FILME ESTRANGEIRO: A grande beleza  (La grande bellezza) (Itália)
FILME DE ANIMAÇÃO: Frozen – Uma aventura congelante (Frozen)
FOTOGRAFIA: Gravidade
DIREÇÃO DE ARTE: O grande Gatsby
FIGURINOS: O grande Gatsby
TRILHA SONORA: Gravidade
CANÇÃO: "Let it go" (Frozen – Uma aventura congelante)
MONTAGEM: Gravidade
MAQUIAGEM: Clube de compras Dallas
EFEITOS ESPECIAIS: Gravidade
SOM: Gravidade
EFEITOS SONOROS: Gravidade
DOCUMENTÁRIO: A um passo do estrelato (20 feet from stardom)
DOCUMENTÁRIO CURTO: The lady in number 6: music saved my life
CURTA-METRAGEM: Helium
CURTA DE ANIMAÇÃO: Mr. Hublot
Prêmio Jean Hersholt: Angelina Jolie
Honorários: Steve Martin; Angela Lansbury; e Piero Tosi.

******************************************************************

FRAMBOESA DE OURO

Na véspera do Oscar, foi entregue o Framboesa de Ouro (Razzie Award, para os íntimos). Era esperada uma enxurrada de prêmios para Gente grande 2, já que os organizadores adoram bater no Adam Sandler, mas a surpresa é que tanto ele quanto o filme saíram de mãos abanando, embora a produção concorresse com nove indicações! A julgar pelo resultado, o tempo de Will Smith já está se esgotando. Confira a lista dos "premiados".

FILME: Para maiores
DIRETOR: os 13 que dirigiram cada um dos episódios (Para maiores)
ATOR: Jaden Smith (Depois da Terra)
ATRIZ: Tyler Perry (como um travesti) (A Madea Christmas)
ATOR COADJUVANTE: Will Smith (Depois da Terra)
ATRIZ COADJUVANTE: Kim Kardashian (A tentação)
CONJUNTO: Depois da Terra
ROTEIRO: Para maiores
REMAKE / SEQÜÊNCIA: O cavaleiro solitário