quinta-feira, 11 de abril de 2013

Os 10 Mandamentos do Cinéfilo


Vez por outra vemos aquelas inúteis e sempre curiosas listagens, quase sempre em 10 tópicos, de naturezas as mais variadas. São supostos resumos de certa filosofia ou de determinado sistema social. E assim temos os mandamentos do conquistador, do machão, do bom carioca e tudo o mais que a imaginação criar. Há muitos anos, certamente por falta de coisa melhor para fazer, resolvi botar no papel o que seriam os 10 mandamentos do cinéfilo. Sempre em tom de brincadeira e sem qualquer pretensão de ser definitivo. Na minha imaginação, seriam estes:

1- Assistirás a pelo menos a um filme por dia.
Esta é a mais básica das regras. Cinéfilo de verdade, quando não consegue cumpri-la, sente que deixou alguma tarefa incompleta ao fim do dia.

2- Procurarás assistir ao maior número de filmes no menor espaço de tempo.
Se você dispõe de cinco horas livres, dá para encaixar dois filmes no espaço. Se o tempo é escasso, de poucos minutos, vale um curta-metragem. O importante é ter o cinema como companhia.

3- Tendo de escolher entre um filme inédito e uma reprise, darás preferência sempre ao filme que você ainda não viu.
Cinéfilo não é exatamente o sujeito que vê muitos filmes, mas aquele que vê filmes que ainda não conhece. Esta é uma das definições possíveis para a categoria e que encontra sua melhor tradução neste mandamento.

4- Revisarás seus filmes preferidos sempre com carinho e a mesma magia da primeira vez.
A primeira vez é sempre especial, e vale para o cinema também. Se o filme conquistou de tal forma, vale levar esse encanto para o resto da vida e revê-lo sempre com os olhos do ineditismo.

5- Jamais deixarás de assistir a um filme até o final, por pior que ele seja ou por mais chato que esteja.
Muitos filmes começam devagar e crescem durante a narrativa. Paciência é uma virtude que todo cinéfilo precisa cultivar, na certeza de que pode haver uma grande história por trás de um início claudicante.

6- Repararás sempre na montagem, na fotografia, na trilha sonora e na direção de arte, elementos que muitas vezes salvam um filme fraco e o tornam inesquecível.
Os atributos técnicos de um filme, muitas vezes, respondem pelo grande prazer de se assisti-lo. A narrativa está aborrecida? Deleite-se com a cenografia majestosa e a fotografia deslumbrante. A história está chata? Feche os olhos e curta a trilha sonora. Às vezes, cinema é mais do que roteiro: é uma experiência de fruição visual.

7- Respeitarás sempre os clássicos e os filmes mudos e antigos, pois são eles a gênese da história do cinema.
Cinéfilo de verdade vai conferir a nova aventura do Homem Aranha, mas também não dispensa uma sessão especial de Casablanca em alguma cinemateca.

8- Organizarás uma lista com seus títulos preferidos, os quais serão objeto de culto e adoração e os quais não poderão ser exibidos sem que os assista.
Mania de lista todo mundo tem. O cinéfilo cria a sua, ou as suas, baseado em suas preferências pessoais.

9- Manterás a mente aberta e não se importarás em descobrir novos filmes entre os títulos menos conhecidos e / ou pouco comentados.
Se houver uma retrospectiva daquele diretor butanês do qual nunca se ouviu falar ou uma mostra de filmes sudaneses, o cinéfilo está dentro. E o que é aquele filme desconhecido apodrecendo num canto da locadora? Vou levar para conferir.

10- Assistirás a filmes de todos os países, de todas as origens, de todos os gêneros e de todos os formatos (longa, média e curta, blockbusters, de arte e alternativos; americanos, brasileiros, europeus ou de outras nacionalidades), pois somente assim é possível a formação de uma cultura cinematográfica.
Esta é a síntese da cinefilia. Não adianta assistir apenas aos grandes lançamentos de Hollywood: cinema é muito mais que isso. Além do que, cultura só se adquire com vivência, e isso vale para todas as áreas da vida.

PARÁGRAFO ÚNICO: Jamais revelarás o final de um filme a quem ainda não o viu, mesmo sob insistentes pedidos.
Nada pior do que alguém assistir a Psicose já sabendo o segredo do filme. Não tire o prazer de ninguém. Deixe que a pessoa se surpreenda (ou se frustre) por conta própria. Isso faz parte da experiência do cinema.

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