quinta-feira, 27 de março de 2014

Golpe no cinema

Em vários países, a data de 1º de abril é celebrada como o Dia da Mentira. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, há uma tradição de os jornais publicarem manchetes brincalhonas nas primeiras páginas, atraindo a atenção de leitores desavisados, e ainda há quem acredite ou replique tais gozações como sendo verdades científicas! Aqui no Brasil, de uns anos para cá, com a popularização de sites especializados em paródias e vídeos de humor na internet, a essência da data perdeu um tanto de força, porque as brincadeiras acabam sendo diárias.

Por uma desagradável ironia, há um outro aspecto relacionado à data aqui no país, e este sem qualquer graça, muito pelo contrário. Na véspera, 31 de março de 1964, o Brasil foi dormir à sombra do Golpe Militar que lançou o país em duas décadas de trevas durante as quais a ditadura controlou cada movimento dos cidadãos. Na manhã seguinte, o popular Dia da Mentira, o clima no ar já não estava propício para brincadeira nem gozações. Foi o período mais negro da vida pública nacional, e somente quem o viveu pode testemunhar por experiência própria - eu nasci exatamente no meio dessa época e não tenho muitas lembranças, e mesmo as que me restam são um tanto difusas e pouco confiáveis.

A julgar pela quantidade de obras artísticas produzidas tendo a ditadura como mote, esta é uma ferida que continua aberta e dificilmente irá cicatrizar na alma brasileira. Foram incontáveis músicas escritas, filmes produzidos e livros publicados sobre o assunto, alguns tratando-o de forma indireta. Neste ano em que o Golpe Militar completa seu jubileu de ouro, é uma boa oportunidade para ver, rever ou conhecer a produção cultural que se debruçou sobre os chamados Anos de Chumbo.

O assunto sempre foi recorrente no cinema brasileiro, e não é difícil encontrar bons exemplos de como o período serviu de base para diversas produções. A lista a seguir relaciona títulos óbvios com outros em que o assunto é apenas citado, o que serve para ampliar a discussão para além do tema e estabelecer um diálogo com outras conexões da vida nacional.

VOZES DO MEDO (1972) – Um dos primeiros a abordar as conseqüências do Golpe. Realizado por vários diretores, que se revezam apresentando histórias independentes e alegóricas sobre a situação do país. Filmado de forma quase clandestina, tem inegável valor histórico, compensando o conjunto algo irregular.

PRA FRENTE, BRASIL (1982) – Durante a Copa de 70, um pacato cidadão é confundido com um ativista político, sendo preso e torturado. Paralelamente, sua família o procura e busca notícias. Um dos mais famosos realizados dentro do período da ditadura, venceu o Festival de Gramado daquele ano. Foi inicialmente censurado, mas liberado com cortes um ano depois. Curiosidade: o hoje ministro Celso Amorim, à época presidente da extinta Embrafilme, foi um dos financiadores do projeto, e acabou sendo demitido por pressão militar.

CABRA MARCADO PARA MORRER (1984) – O filme começou a ser rodado 20 anos antes, mas foi interrompido pelo Golpe Militar. Duas décadas depois, Eduardo Coutinho voltou aos mesmos lugares, entrevistou as mesmas pessoas e tentou desvendar o que teria acontecido durante aquele período. Está sendo finalmente lançado em DVD, em uma edição bem caprichada da Videofilmes.

QUE BOM TE VER VIVA (1989) – De Lúcia Murat. Mistura de documentário (com depoimentos reais exibidos na tela em uma janelinha 3x4) e ficção, é uma ode às mulheres que participaram da luta armada, simbolizadas na voz de uma ex-guerrilheira, interpretada por Irene Ravache, que relembra momentos de sua atuação naquele período.

LAMARCA (1994) - Os últimos dias de vida de Carlos Lamarca, que desertou do Exército e se tornou um dos mais destacados líderes da oposição política nos anos 60. Elogiada atuação de Paulo Betti no papel principal.
 
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997) – Adaptado de livro homônimo escrito por Fernando Gabeira, é um dos títulos mais famosos da Retomada, muito criticado por pesquisadores e historiadores, que apontaram inúmeras falhas. Mas teve carreira vitoriosa no exterior e chegou a ser indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro (perdeu para o holandês Caráter).

AÇÃO ENTRE AMIGOS (1998) – Acerto de contas promovido por quatro amigos presos e torturados nos anos 70. O tempo passa e 25 anos depois, eles descobrem que o algoz continua vivo. Resolvem então executar um plano de vingança. Um dos títulos mais celebrados do diretor Beto Brant.

CASSETA E PLANETA – A TAÇA DO MUNDO É NOSSA (2003) – Primeiro filme do grupo, que somente se arriscou nas telas mais uma vez, no igualmente fraco Casseta e Planeta – Seus problemas acabaram!!! (2006), ambos muito pobres se comparados ao programa de TV. Também foi fracasso de bilheteria, sobretudo porque é difícil fazer piada com um tema tão sério e doloroso.

ARAGUAYA, A CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO (2004) – Joga luzes sobre um dos episódios menos comentados do período, a Conspiração do Araguaya, mostrando como a resistência captou também membros em comunidades rurais do Brasil Central. Também é entremeado por depoimentos de quem viveu o conflito (José Genoíno é um deles). Sério e bem-produzido, mas tem um som catastrófico!

SONHOS E DESEJOS (2006) – Possivelmente o pior filme já feito sobre o tema. Nos anos 70, um professor de literatura engajado na guerrilha contra os militares se muda para Belo Horizonte com a namorada e lá acolhem um companheiro de luta ferido na mão. O diretor Marcelo Santiago tranca esses três personagens em um "aparelho" e conduz a história de forma tola e letárgica, sem que nada aconteça, sem que nenhum conflito se imponha, nenhuma questão pertinente seja levantada. Ricardo Pereira paga mico e Mel Lisboa repete os cacoetes eróticos de sua recém-interpretada Anita da famosa minissérie da TV.

BATISMO DE SANGUE (2006) – A luta armada vista pelos olhos da Igreja. O palco da ação é um convento, no final dos anos 60, no qual os padres locais apóiam um grupo de guerrilheiros e, por isso, são presos e torturados. Prêmio de Melhor Diretor para o argentino Helvécio Ratton e fotografia no Festival de Brasília.

O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS (2006) – Um dos mais líricos a abordar o assunto. Menino fica aos cuidados do avô quando seus pais militantes precisam fugir do país para escapar do cerco aos oposicionistas do regime. Uma das grandes surpresas da história do Oscarito, ao receber o prêmio de melhor filme, superando o favorito Tropa de elite.

ZUZU ANGEL (2006) – A luta da estilista Zuzu Angel para localizar e enterrar o corpo do filho, seqüestrado e morto pelos militares. Reconstituição de um dos mais famosos casos do período. Comovente atuação de Patrícia Pillar como a protagonista. Oscarito de Figurinos.

OS DESAFINADOS (2008) – Quatro amigos tentam a sorte na música durante a eclosão da Bossa Nova, nos anos 60. O roteiro se concentra nos dramas pessoais e profissionais de cada um, mas toca de leve no assunto quase no fim da história, quando um dos artistas se revela integrante da luta armada e acaba sendo perseguido pelos militares.

UMA LONGA VIAGEM (2011) – Outro de Lúcia Murat. Misto de drama e documentário, narra os desencontros de três irmãos: o mais novo é mandado para Londres, para não entrar na luta armada que acaba por seduzir o irmão mais velho. Já a irmã do meio se torna presa política e, anos depois, cineasta formada, relembra a história por meio de cartas que trocou com o irmão exilado e entrevistas feitas com ele. Sensível e poético, é uma espécie de expurgo das dores familiares da diretora. Vencedor do Festival de Gramado, também rendeu a Caio Blat o prêmio de melhor ator.

O DIA QUE DUROU 21 ANOS (2012) – Produzido pela TV Cultura e dividido em quatro partes, revela uma até então desconhecida conspiração segundo a qual o Golpe Militar teria sido uma forma de o governo norte-americano de John Kennedy e Lyndon Johnson controlar o avanço de idéias "comunistas" no Brasil. Um dos melhores documentários sobre o tema.

quinta-feira, 20 de março de 2014

A bela criação e a fera criadora

Walt nos bastidores de Mary Poppins (2013)
Embora tenha colhido diversos elogios na temporada pré-Oscar, Walt nos bastidores de Mary Poppins terminou esnobado pela Academia, que só o indicou para Melhor Trilha Sonora. Triste esquecimento. Sua indicação à categoria principal faria justiça à alta qualidade dos selecionados deste ano, bem como poderia ter recebido no mínimo mais três nomeações.

Na época em que eram feitas as adaptações de Harry Potter para o cinema, ficou famoso o controle rígido que a autora J. K. Rowling mantinha sobre cada aspecto da produção. Cuidava de tudo, desde os diálogos até pequenos detalhes dos figurinos. Nada podia sair em desacordo com sua visão de criadora dos personagens. Se não tivesse sua aprovação, simplesmente não ia para a tela. Pois em 1964 a senhora Pamela Travers era uma espécie de J. K. Rowling ampliada por um poderoso microscópio. Naquele tempo, ela já era a famosa criadora de uma série de livros protagonizados por Mary Poppins e vivia da renda dos direitos autorais. Quando o filme começa, porém, Travers está em situação financeira delicada, já que as vendas caíram assustadoramente. Seu agente tenta convencê-la a vender os direitos de adaptação para Walt Disney, fã assumido da personagem e que há mais de 20 anos tentava obter licença para filmar uma história baseada na babá encantada. Pamela resistiu por todos aqueles anos, porque se recusava, entre outros motivos, a ver sua obra diluída em mero instrumento de fazer dinheiro no império de Disney.

É assim que ela vai da sua Austrália natal até os Estados Unidos para uma série de reuniões com o próprio Disney (que prefere ser chamado apenas de Walt por seus funcionários). Muito já se falou e escreveu sobre o "pai" do Mickey, mas pouco se sabe a respeito da autora de Mary Poppins. A julgar pela fita, era uma mulher intragável, amarga, ranzinza, mal-humorada, que começa a desfiar seu rosário de reclamações antes mesmo de o avião decolar. A situação não melhora nem um pouco ao chegar a Los Angeles, apesar da simpatia com que é recebida por parte da equipe de Disney responsável por tocar o projeto da adaptação, os dois letristas da história, o que já causa desagrado a Travers: nem em sonho que Mary Poppins seria convertida em uma boneca dançarina daqueles musicais infantilizados do cinema. Os conflitos vão encorpando à medida em que ela vai determinando o que deve ou não ser feito no filme, os diálogos que considera mais adequados, descrições de cenários etc. Discute tudo, recusa a maioria das sugestões, tenta impor sua vontade. Disney se curva: quer levar a obra para o cinema, torná-la mais conhecida das pessoas. Travers se irrita com a idéia de ver pingüins animados em uma das seqüências, ameaça retornar a seu país. 

Mr. Banks (Farrell, à dir.) foi redimido de suas bebedeiras.
Paralelamente a esses embates, o roteiro engenhoso, escrito em parceria entre Kelly Marcel e Sue Smith, estreantes em longas (ambas egressas de séries de TV, a segunda com mais créditos) recua várias vezes no tempo, até 1906, mostrando a infância da autora - que, vemos de início, se chama Ginty Goff; seu pseudônimo será explicado no momento adequado - e sua relação um tanto conturbada com o pai, o tal Mr. Banks do título original, um beberrão assumido, que era um bom homem, mas incapaz de cuidar de si mesmo, quanto mais de sustentar uma família, que conta também com outra filha, um pouco maior, da qual nada de diz depois de crescida. Oscilando de emprego a emprego, acabou marcando de forma indelével a primogênita, e são essas lembranças que irão nortear a criação artística de Mary Poppins. A cada cena no tempo presente, corresponde uma passagem de sua infância, que ilustra e esclarece certos aspecto de sua obra. 

Na verdade, toda a obra de Travers é um acerto de contas com sua vida. Sua amargura tem razão de ser. O zelo excessivo com que trata sua personagem, contudo, se revelará uma camisa de força. A menos que consiga se libertar, ela a condenará ao esquecimento pelo resto da vida. De certa forma, foi salva por Disney. A cena final, mostrando sua reação ao ver o filme na tela durante a pré-estréia, alternando-se entre o espanto e a sincera satisfação, pode arrancar lágrimas.

Walt e Travers nos bastidores da Disney.
Toda a parte técnica do filme é muito bem-cuidada, desde os figurinos, a direção de arte, a fotografia, conferindo-lhe um visual bonito e atraente. Tom Hanks está bem no papel de Disney, embora a maior parte do mérito se deva à maquiagem, também bastante elogiada e igualmente esquecida pela Academia. Emma Thompson dá seu show particular como Travers. De início ranzinza e até arrogante, vai se transformando na medida em que Mary Poppins vai ganhando verdade na tela. É um expurgo, uma catarse interior. É uma vida redimida pela magia do cinema. 

A crítica especializada, de maneira geral, foi bastante contida e bem pouco entusiasmada com o filme. No meu caso, achei tudo em perfeita sintonia, tanto a ponto de conferir a cotação máxima. Até porque não é preciso ser fã de Mary Poppins para gostar da história e se emocionar com o processo de criação do filme (eu mesmo não morro de amores), mas é claro que os apreciadores do musical irão aproveitar muito mais. Quem gostar, ou os que quiserem conhecer a história de outra forma, pode também ler Mary Poppins e sua criadora, escrito por Valerie Lawson, que acaba de ser lançado pela Prata Editora, como sempre na esteira do filme - pelo menos a capa é diferente do cartaz original!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Cine Holliúdy de "carne e osso"

No sertão da Paraíba, um jovem mecânico de motos mantém em funcionamento a única sala de cinema da sua cidade. Parece uma continuação de Cine Holliúdy, mas é uma história verdadeira, e tão fantástica que merece ser conhecida e divulgada.

Segue, na íntegra, reportagem publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo no dia 1º de março, assinada por André Cananéa, sob o título "Cine Paraíba".

Com a afabilidade de Alfredo, o amor de Totó pela sétima arte e a determinação de Francisglaydisson, o mecânico Regilson Cavalcanti Silva, de 32 anos, sustenta, há dois, seu Cinema Paradiso com as adversidades de um Cine Holliúdy. Inaugurado em 13 de fevereiro de 2012, o Cine RT (R, de Regilson, e T, de Thamires, mulher dele) fica em Remígio, na Paraíba. Com pouco mais de 17 mil habitantes e distante 147 km da capital, João Pessoa, a cidade que possui uma única videolocadora ainda dá pouca atenção ao empreendimento. 

— Quando a semana tá boa, eu chego a ter 45 pessoas aqui — conta Regilson, que ganha a vida consertando motos numa oficina montada há oito anos, numa rua próxima ao cinema.

Regilson, mecânico e cinéfilo, é gente que faz.
Com filmes dublados em duas sessões, de segunda a sexta-feira, às 18h e às 20h, e uma matinê às 16h, nos sábados e domingos, o cinema cobra ingressos de R$ 4 (meia) e R$ 8 (inteira). Mesmo mantendo uma programação atualizada — na semana passada estava em cartaz Frankenstein — Entre anjos e demônios, de Stuart Beattie, que seguia no circuito carioca até o último dia 13 [de fevereiro]—, ele não consegue levantar receita suficiente para manter o cinema. Somando o aluguel do prédio, o custo com filmes — que pode chegar a R$ 2 mil a unidade —, os impostos e as despesas operacionais, o Cine RT parece um investimento kamikaze.

— Não é pelo lucro, não, que eu nunca tive — lamenta o mecânico — As contas não fecham, e eu tenho que usar dinheiro da oficina para manter o cinema aberto. Já houve mês em que eu precisei tirar R$ 1.500 do bolso para cobrir as despesas. Minha mulher já me disse para largar isso, porque há dois anos vivemos numa recessão financeira.

Mesmo assim, a mulher ajuda o mecânico. E Regilson não quer fechar as portas tão cedo. Mais que um sonhador, ele é um idealista:

— Estou nessa pelo amor que tenho aos filmes e pela vontade de fazer as pessoas da minha cidade voltarem a freqüentar o cinema.

Na infância, fraldas eram a tela

A paixão vem de criança. Quando moleque, Regilson entrava no extinto Cine São José para ver Os Trapalhões e, na saída, fuçava o lixo à procura de restos de película jogados fora, que levava para casa como se fossem troféus, tal qual o personagem Totó do filme Cinema Paradiso (1988), de Giuseppe Tornatore:

— Eu pegava essas películas, colocava numa caixa de sapatos adaptada com lâmpada e lente e as projetava nas fraldas de pano dos meus irmãos, que eram bem branquinhas, davam uma ótima tela.

Único cinema de Remígio, o Cine São José teve seus dias de glória entre os anos 1960 e 70 e fechou as portas de vez no começo da década de 90. Com o passar do tempo, Regilson ficou amigo do neto do antigo dono do cinema. E, depois de começar a freqüentar as salas mais próximas a Remígio — em um multiplex na cidade de Campina Grande, distante 30 km —, tornou-se amigo do gerente e dos técnicos do lugar. Lá encontrou quem lhe ensinasse a magia dos 24 quadros por segundo, como o projecionista Alfredo, de Cinema Paradiso.

Os inesquecíveis Alfredo e Totó foram inspiração.
Isso foi o suficiente para o mecânico decidir que era hora de ter seu próprio cinema. Regilson convenceu os herdeiros do antigo Cine São José a alugar o prédio e comandou seis meses de reformas, enquanto rodava a Paraíba em busca de um projetor de 35 milímetros. Comprou dois, ao preço de R$ 3.500, e reformou um deles utilizando as melhores peças do outro. Conseguiu, também, um som profissional, com o qual pode exibir os filmes em sistema 5.1. A sala é um grande galpão com teto de zinco e cem cadeiras de plástico. O filme é projetado na antiga tela do Cine São José, que Regilson recuperou, com 7 metros de largura por 3,8 de altura.

Nesse tempo o mecânico-dono de cinema também construiu uma poderosa rede envolvendo, numa ponta, gerentes de cinemas de Campina Grande, João Pessoa e Recife e, na outra, as próprias distribuidoras, conversando com elas por e-mail.

— Negocio direto com as distribuidoras — diz, orgulhoso, o gerente, programador e operador do Cine RT. — Tenho cadastro em todas elas. Ligo para os gerentes, vejo os filmes que estão com boa bilheteria e as praças que vão liberá-los mais cedo e negocio com as distribuidoras.

Aventura e comédia são os favoritos do público. O cinema foi inaugurado com A saga Crepúsculo: Amanhecer — Parte 1. Os campeões de bilheteria nestes dois anos foram Gonzaga — De pai pra filho e Os Vingadores, com uma média de 350 pessoas por semana cada.

Junto à bombonière, há cartazes anunciando Robocop, de José Padilha, e Hércules, de Renny Harlin, como próximas atrações.

— Tenho o único cinema de rua da Paraíba, e com programação de shopping! — comemora o dono do Cine RT.

Longa cearense teve bilheteria fraca

A comédia Cine Holliúdy (2013), de Halder Gomes, também passou por lá, mas, segundo Regilson, não foi muito bem de bilheteria. Alguma semelhança com a história do personagem Francisglaydisson, que, no interior do Ceará, decide concorrer com a TV e montar um cinema, tido como opção de entretenimento decadente?

O Cine RT, em Remígio (PB).
 — A gente achou parecida essa história de que todo mundo dizia que não daria certo abrir um cinema — responde o mecânico.

O Cine RT ainda carece de poltronas adequadas, luta que Regilson colocou no topo de suas prioridades.

— Acredito que, se eu conseguir poltronas para cá, o público irá aumentar. Dar conforto é a minha prioridade agora — confessa ele, já de olho num multiplex de João Pessoa que acabou de se desfazer de mil poltronas.

Apesar das dificuldades, e ciente de que Hollywood já decretou a morte dos filmes em 35 milímetros, o incansável Regilson Silva não desanima.

— Enquanto houver película, eu sigo em frente com o Cine RT — promete.

Longa vida ao Regilson e ao Cine RT.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Oscar 2014 - Todos os vecedores

Recuperei a dignidade pessoal no bolão do Oscar. Depois do vexame do ano passado, quando somente acertei três palpites, consegui retomar minha média e fechei com 13 acertos. Mas também, ninguém pode dizer que houve surpresa na entrega do Oscar. Tudo de óbvio aconteceu: 12 anos de escravidão levou o prêmio principal, Gravidade saiu consagrado como o grande vencedor da noite com sete estatuetas e Trapaça perdeu tudo, entrando no seleto grupo dos maiores derrotados da história. A Academia soube reconhecer a originalidade de Spike Jonze, finalmente agraciado pelo roteiro de Ela, que era meu favorito para a categoria principal. O mexicano Alfonso Cuarón também fez história, ao se tornar o primeiro latino-americano a levar o prêmio de diretor. Também não houve novidade nas categorias de interpretação, com todos os vencedores confirmando seu favoritismo.

Surpresa mesmo foi o Oscar de Documentário. Contrariando as previsões, a estatueta foi para A um passo do estrelato, superando o grande favorito, O ato de matar, que chegou a ser eleito um dos melhores filmes de 2013 pela revista Time. Outra surpresa, especial mas triste para nós, brasileiros, foi a lembrança que a Academia teve de Eduardo Coutinho na homenagem anual aos mortos do mundo do cinema - sua foto apareceu ao lado de outras, como Phillip Seymour Hoffman, Paul Walker e Shirley Temple. Só não deu tempo de incluir o nome do diretor francês Alan Resnais, falecido na véspera aos 91 anos.

Confira todos os vencedores do Oscar de 2014:

FILME: 12 anos de escravidão (12 years a slave) / Regency
DIRETOR: Alfonso Cuarón (Gravidade)
ATOR: Matthew McConaughey (Clube de compras Dallas)
ATRIZ: Cate Blanchett (Blue Jasmine)
ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Clube de compras Dallas)
ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyongo (12 anos de escravidão)
ROTEIRO ORIGINAL: Spike Jonze (Ela)
ROTEIRO ADAPTADO: John Ridley (12 anos de escravidão)
FILME ESTRANGEIRO: A grande beleza  (La grande bellezza) (Itália)
FILME DE ANIMAÇÃO: Frozen – Uma aventura congelante (Frozen)
FOTOGRAFIA: Gravidade
DIREÇÃO DE ARTE: O grande Gatsby
FIGURINOS: O grande Gatsby
TRILHA SONORA: Gravidade
CANÇÃO: "Let it go" (Frozen – Uma aventura congelante)
MONTAGEM: Gravidade
MAQUIAGEM: Clube de compras Dallas
EFEITOS ESPECIAIS: Gravidade
SOM: Gravidade
EFEITOS SONOROS: Gravidade
DOCUMENTÁRIO: A um passo do estrelato (20 feet from stardom)
DOCUMENTÁRIO CURTO: The lady in number 6: music saved my life
CURTA-METRAGEM: Helium
CURTA DE ANIMAÇÃO: Mr. Hublot
Prêmio Jean Hersholt: Angelina Jolie
Honorários: Steve Martin; Angela Lansbury; e Piero Tosi.

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FRAMBOESA DE OURO

Na véspera do Oscar, foi entregue o Framboesa de Ouro (Razzie Award, para os íntimos). Era esperada uma enxurrada de prêmios para Gente grande 2, já que os organizadores adoram bater no Adam Sandler, mas a surpresa é que tanto ele quanto o filme saíram de mãos abanando, embora a produção concorresse com nove indicações! A julgar pelo resultado, o tempo de Will Smith já está se esgotando. Confira a lista dos "premiados".

FILME: Para maiores
DIRETOR: os 13 que dirigiram cada um dos episódios (Para maiores)
ATOR: Jaden Smith (Depois da Terra)
ATRIZ: Tyler Perry (como um travesti) (A Madea Christmas)
ATOR COADJUVANTE: Will Smith (Depois da Terra)
ATRIZ COADJUVANTE: Kim Kardashian (A tentação)
CONJUNTO: Depois da Terra
ROTEIRO: Para maiores
REMAKE / SEQÜÊNCIA: O cavaleiro solitário

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Meus palpites para o Oscar 2014

Os cinéfilos foliões terão de escolher o programa no domingo, dia 2 de março, quando os desfiles do carnaval, mais uma vez, irão se chocar com a cerimônia de entrega do Oscar. De minha parte, não haverá dúvida e vou me plantar à frente da TV para acompanhar a entrega dos prêmios. Como em todos os anos, deixo aqui os meus palpites para os vencedores de 2014, na expectativa de, pelo menos, evitar repetir o vexame do ano anterior, quando acertei apenas três prognósticos. Desta vez, me deixei guiar pela razão em quase todas as categorias.

FILME
Ano passado embarquei naquela de "filme com cara de Oscar" e me lasquei. Vou correr o mesmo risco este ano e cravar 12 anos de escravidão como o vencedor. Tem a cara do Oscar etc. Mas não só por isso. Apesar de todas as suas qualidades técnicas, Gravidade é uma ficção científica, gênero normalmente relegado por Hollywood em suas categorias "sérias", ao passo que Trapaça, o outro grande favorito, além de se assemelhar um tanto com Golpe de mestre (ou seja, já não acerta pela originalidade), e embora seja defendido por um ótimo elenco, não faz o espectador pensar ao final da sessão, não levanta qualquer questão relevante nem acrescenta nada à experiência individual da platéia. Duas falhas que o pesado drama de Steve McQueen não apresenta.

DIRETOR
Acompanhando o premiado na categoria principal, Steve McQueen entrará para a história como o primeiro negro a receber o Oscar de direção.

ATOR
Leonardo Di Caprio envelheceu e, como sói acontecer com alguns intérpretes, virou um senhor ator. Sua atuação em O lobo de Wall Street chega a ser espantosa, tamanha a variedade de nuanças que imprime ao seu Jordan Belfort. Esta é sua quarta indicação e mereceria ganhar, finalmente. Mas deu azar, porque o ano parece ser de Matthew McConaughey, menos pelo seu trabalho em Clube de compras Dallas, mais como reconhecimento aos bons papéis que vem interpretando nos últimos tempos (aliás, ele faz uma ponta rápida e divertida junto com Di Caprio no filme de Scorsese). Ou seja, um daqueles casos em que o Oscar é mais político do que qualificado.

ATRIZ
Cate Blanchett vem papando todos os prêmios, e naturalmente leva aqui também. Mas a grande atuação entre as indicadas é de Meryl Streep, que engole Álbum de família na cena do surto de loucura à mesa. Mais um Oscar seria muito merecido.

ATOR COADJUVANTE
Jared Leto ganhou o Globo de Ouro, mas a verdade é que faz e aparece muito pouco em Clube de compras Dallas, ofuscado por McConaughey, que capitaliza toda a atenção de um filme fraco. Jonah Hill parece descontrolado em O lobo de Wall Street. O Oscar poderia ir para Michael Fassbender, mais pela carreira em ascensão do que por seu trabalho em 12 anos de escravidão. Sobra o excelente Barkhad Abdi em Capitão Phillips, mas é pouco provável que a Academia conceda um prêmio a um negro amador e iniciante. Ou seja, o Oscar vai para Bradley Cooper por Trapaça. No fim das contas, é o único prêmio que o filme vai levar. 

ATRIZ COADJUVANTE
Por que a Academia não teve paciência com Jennifer Lawrence? Quiseram premiá-la logo, de qualquer jeito, por um personagem chato em um filme ruim. Resultado: vai ficar estranho agora fazer justiça e conferir a ela o merecido Oscar de coadjuvante em Trapaça, no qual está brilhante como a esposa burra e fútil do golpista, mas que acaba tendo um papel fundamental na resolução da história. Vitória por dois anos seguidos? Não creio, acho difícil. Assim, aposto as fichas em Lupita Nyongo, mais para engordar a lista de prêmios para 12 anos de escravidão. Mas a verdade é que todas as indicadas estão muito bem em seus respectivos papéis e qualquer uma que sair vencedora terá merecido. Minha torcida, porém, estará com June Squibb, a ranzinza desbocada de Nebraska.

FILME ESTRANGEIRO
A disputa está polarizada entre o favorito A grande beleza (Itália) e A caça (Dinamarca), dois grandes filmes. O primeiro chega com ligeira vantagem por ter ganho o European Film Awards, ou seja, já teve suas qualidades reconhecidas e o Oscar pode corroborar isso. Mas não dá para descartar o pequeno e simpático Alabama Monroe – O círculo quebrado (Bélgica), que pode se favorecer de uma divisão de votos entre os outros dois concorrentes.

FILME DE ANIMAÇÃO
Aposto em Frozen – Uma aventura congelante, sobretudo por ter sido muito bem-sucedido comercialmente lá fora.

ROTEIRO ORIGINAL
Não há, entre os indicados, roteiro mais criativo e verdadeiramente original do que o de Ela.

ROTEIRO ADAPTADO
Mais um prêmio para encher o currículo de 12 anos de escravidão.

FIGURINOS
Filmes de época geralmente saem vencedores nesta categoria. Aposto em O grande Gatsby.

FOTOGRAFIA
Aposto no belo preto e branco de Nebraska, que tem algumas imagens que chegam a parecer quadros pintados.

DIREÇÃO DE ARTE
Primeiro dos prêmios técnicos que Gravidade irá embolsar este ano.

MAQUIAGEM
Parece não haver concorrência para Vovô sem vergonha.

CANÇÃO
A canção "Alone yet not alone", do filme homônimo, foi desclassificada, então restam quatro na disputa. Naturalmente a favorita é "Let it go", de Frozen – Uma aventura congelante, mas fico com "The moon song", de Ela.

TRILHA SONORA
Fico com Philomena, que chega muito bem-recomendado ao Oscar e levará ao menos um dos prêmios a que concorre, já que não tem chances nas outras categorias.

MONTAGEM
O ritmo taquicárdico de Capitão Phillips garante o prêmio desta categoria.

EFEITOS ESPECIAIS, SOM E EFEITOS SONOROS
Três prêmios merecidíssimos para Gravidade. Já escrevi sobre o filme aqui na época do Festival do Rio e insisto: o roteiro é fraco, mas toda a parte técnica é exemplar, tanto na direção de arte quanto na ousadia de se criar som no espaço sideral. Creio que o filme está hoje para o gênero de ficção científica quanto estiveram, em suas respectivas épocas, 2001 – Uma odisséia no espaço e Matrix. Ou seja, um marco, um divisor de águas, que se tornará um parâmetro de excelência daqui por diante.

DOCUMENTÁRIO
Ao que tudo indica, será zebra se a vitória não for de O ato de matar. Embora longo e de tema difícil (a recriação dos crimes cometidos durante o período ditatorial na Indonésia dos anos 60, encenada pelos próprios matadores), é um desses filmes que trazem a força da denúncia necessária para que novas atrocidades sejam evitadas.

DOCUMENTÁRIO CURTO
Aberta a temporada de chutes. Aqui, fico com Prison terminal: the last days of private Jack Hall, que tem a chancela da HBO e poderá ser visto em breve na TV a cabo.

CURTA-METRAGEM
O espanhol Aquel no era yo leva nesta categoria.

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Meu palpite vai para Mr. Hublot. Curiosidade: um dos indicados, Get a horse!, pode ser visto nos cinemas, antes de Frozen – Uma aventura congelante. É uma pequena aventura com Mickey, Minnie e João Bafo-de-Onça em preto e branco, recriando o clima dos antigos cartoons norte-americanos.

Na madrugada de carnaval, enquanto o povo samba, o CineComFritas acompanha a entrega das estatuetas. Os premiados você confere aqui no blog já nas primeiras horas do dia 3 de março. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Confissões de um seriemaníaco - VIII

OSMAR, A PRIMEIRA FATIA DO PÃO DE FORMA

Onde e quando: Gloob, segunda a sexta, 19h45; idem, 11h15; sábado, 18h15.
Elenco: vozes principais de Marcius Melhem e Leandro Hassum.
Sinopse: Osmar é uma fatia de pão que vive muitas aventuras em Trigueirópolis, a cidade do café da manhã.




Comentários: Este é mais um efeito direto da Lei da TV a Cabo, que obrigou os canais por assinatura a investirem em produção nacional para preencher o horário nobre de suas programações. E também uma prova de como a animação brasileira está caminhando muito bem por suas próprias pernas, graças a projetos criativos como este. Embora direcionado às crianças, é o tipo de atração que agrada também aos adultos, por causa da simpatia dos personagens e da criatividade das histórias. A premissa é bastante original. Osmar é uma fatia de pão que, por ter apenas casca de um dos lados, é sempre deixada no pacote. Essa característica é primordial na construção da psicologia do personagem, que é apresentado como um perdedor nato, como se canta na musiquinha de abertura: "Sua vida todo dia é um boicote"! Ele mora com seu amigo Stevie, uma baguete folgazã e que sempre mete o pobre Osmar nas maiores furadas. É apaixonado por Josy, uma bisnaga charmosa e patricinha que sequer sabe o nome dele, e vive sendo multado pelo síndico do prédio onde vive, Seu Max, pelos motivos mais variados (e absurdos!). Não espere roteiros mirabolantes, afinal, vale lembrar, é uma atração infantil, mas é possível perceber certas sacadas e referências que certamente passarão batidas pelos pequenos. Por exemplo, a parede da lanchonete onde Osmar se reúne com seus amigos tem um pôster de Elvis Pretzel; o prédio mais luxuoso da cidade se chama Iogurtower Plaza e é sempre anunciado com pompa e reverência; o psicanalista que trata de Osmar é um croissant e por isso fala com sotaque francês; e por aí vai. Outras piadas são mais acessíveis, como a rede social usada pelos personagens, chamada Facebake. A exemplo do que sucede em Os Simpsons, há participações especiais de figuras conhecidas, como a consultora de moda Constanza Pascolatto (que aqui vira Chocolatto, uma brincadeira que as crianças evidentemente não entenderão) e o lutador Anderson (aqui, Provolanderson) Silva, cujo final é ainda mais trágico do que a fratura que sofreu em dezembro, mas, claro, sempre na base da caricatura. Normalmente usado como "escada" para Hassum nos programas humorísticos da TV, Melhem brilha dando a voz a Osmar, cabendo ao amigo a tarefa de falar por Stevie.


Por que ver: Pela criatividade da idéia, a simpatia dos personagens e pela dublagem, bastante competente, que ajuda a compor as características de Osmar e seus amigos.
Por que não ver: Pode soar excessivamente infantil para muitos espectadores adultos. A dica é deixar falar a criança que (dizem) existe em cada um de nós.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Duas estrelas que sobem

Não dá para fugir muito do assunto. A semana começou de forma particularmente trágica para a comunidade cinéfila, sacudida pelas mortes de Eduardo Coutinho e de Phillip Seymour Hoffman. Difícil dizer qual das duas foi a mais chocante, porque ambas guardam características que as igualam na fatalidade.

Eduardo Coutinho tinha 80 anos e era considerado o principal documentarista do Brasil e reconhecido como um dos maiores do mundo. Dirigiu 20 obras, entre curtas, médias e longas-metragens, todas do gênero que lhe deu fama. Nos anos 70, realizou breves reportagens televisivas para o Globo Repórter (naquela época, o programa ainda tinha contornos mais jornalísticos, ao contrário de hoje, quando praticamente abandonou temas políticos e sociais relevantes em prol de assuntos mais amenos, como turismo e vida animal), o que serviu para que refinasse seu estilo e encontrasse um caminho próprio dentro do gênero. Sua facilidade na forma de abordar questões e de trabalhar imagens contribuiu para que se tornasse extremamente popular e pode-se dizer que Coutinho foi o responsável por transformar o documentário em um espetáculo atraente para o público médio, ou mesmo minimamente interessante para o espectador pouco acostumado às narrativas não ficcionais.

Hoje em dia, é raro alguém dizer que nunca viu um filme do diretor. Gosto particularmente de dois deles: Edifício Master (2002) e Jogo de cena (2007). O primeiro é uma radiografia afetiva de um dos endereços residenciais mais conhecidos da cidade do Rio; o segundo embaralha realidade e ficção para debater o ofício da interpretação, reunindo atrizes famosas e outras nem tanto, que prestam depoimentos tanto baseados em suas vidas pessoais quanto inventados para a câmera. O que é real e o que não é? Impossível saber. Mas essa era a proposta de Coutinho: alçar vidas comuns à condição de especiais, tatuadas perenemente no celulóide da história. O mais curioso é que o homem que revelava tantas vidas para o mundo mantinha a sua hermeticamente reservada. Coutinho morreu esfaqueado pelo filho, que tinha problemas psicológicos, fato desconhecido até pela irmã do cineasta.

O caso de Phillip Seymour Hoffman se aproxima do destino de outros astros e estrelas que, a despeito do talento inquestionável e do sucesso alcançado em seu meio, acabaram se perdendo nas drogas e nos excessos. O ator foi encontrado com uma seringa espetada no braço, o que reforça a tese de que tenha morrido por overdose de heroína, substância encontrada na cena do crime. Estava "limpo" há mais de 20 anos, e pessoas próximas dizem que recentes problemas pessoais podem ter servido para que ele tivesse uma recaída, já que foi usuário de drogas na juventude. Considerado um dos melhores atores de sua geração, Hoffman estava com 46 anos e dificilmente se apresentava mal em cena.

Teve tempo de ser reconhecido pela Academia, que lhe concedeu um Oscar em 2006 por Capote, além de tê-lo indicado outras três vezes (nestas, como coadjuvante). Sua versatilidade o fazia transitar com igual desenvoltura por papéis tão díspares quanto um vilão disposto a destruir o mundo (Missão impossível 3), um crítico musical (Quase famosos), um valentão marrento (Meu namorado é de morte!, que reportagem alguma informou, mas foi um de seus primeiros papéis no cinema, como escrevi aqui no blog) ou um tímido motorista descobrindo o amor (Vejo você no próximo verão, sua única experiência atrás das câmeras).

Anualmente, a Academia de Hollywood presta uma homenagem aos membros da indústria do cinema que faleceram nos meses anteriores à cerimônia do Oscar. É muito provável que Hoffman estará entre os lembrados; minha expectativa é se irão se lembrar também de Coutinho, com todo seu prestígio e reconhecimento internacional, ou se deixarão de lado a imagem desse documentarista genial, pelo simples fato de ele ser brasileiro. Aguardemos.

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A classificação do Botafogo á fase de grupos da Taça Libertadores, após a goleada por 4x0 sobre o frágil Deportivo Quito, era o mínimo que se esperava do time no seu retorno à competição continental após 18 anos de ausência. O time mostrou garra e disposição, elementos fundamentais nesse tipo de torneio. Mas ainda carece de um ataque mais efetivo. Vamos lutar pela segunda vaga no grupo. O que vier depois será lucro.